As crianças e a música no Brasil

olodum-9

Quando, em 1996, o cantor norte americano Michael Jackson lançou o vídeo do single They Don’t Care About Us, filmado no Brasil, entre o Rio de Janeiro e Salvador, ele aparecia a cantar e a dançar rodeado por um grupo de percussão. O nome deste grupo é Olodum e uma característica que saltou à vista de muita gente na altura, foi o número de crianças que integrava as suas fileiras e com participação muito ativa na criação dos sons e ritmos deste bloco.

A música e o ritmo parecem fluir nas veias do povo brasileiro e é comum ver, em festas e em grupos organizados, crianças e adolescentes a tocar os mais variados instrumentos, a cantar e a dançar. E muitas vezes de forma improvisada, demonstrando uma criatividade sem limites.

A um nível mais formal, as coisas nem sempre foram muito facilitadas para a aprendizagem da música pelos mais jovens.

Enquanto nos anos sessenta e setenta do século passado existia nas escolas brasileiras a disciplina de educação musical, no início dos anos setenta começou um processo gradual de substituição desta disciplina por uma mais generalista, chamada educação artística. Embora no final dos anos noventa se tentasse repor a educação musical no currículo dos alunos, foi apenas em 2008 que o ensino da música numa disciplina própria foi reinserido no ensino brasileiro.

Hoje em dia há professores formados especificamente para ministrar essas aulas e as crianças têm acesso à aprendizagem de técnicas instrumentais e de canto, onde tradição e inovação se misturam, permitindo uma aprendizagem eclética e abrangente. Isto permite que os jovens que assim pretendam, possam chegar à adolescência e à idade adulta com fortes bases práticas e teóricas e, se o talento ajudar, seguir uma carreira profissional.

O Brasil volta a apostar na música com as crianças e o mundo só tem a ganhar com isso.